O Porque de tantos Milagres

O Porque de tantos Milagres

Allan Kardec

O Porque de tantos Milagres. Analisamos O Porque de tantos Milagres sob a ótica espírita, diferenciando a caridade real da exploração da fé e o papel das doenças na evolução da alma.

Introdução: A Busca Incessante pelo Extraordinário

A humanidade, em sua jornada evolutiva, sempre nutriu um fascínio pelo sobrenatural. Desde os tempos mais remotos, o homem busca no divino a solução para suas dores físicas e angústias existenciais. Hoje, ao olharmos para o cenário religioso contemporâneo, nos deparamos com uma pergunta latente: qual O Porque de tantos Milagres sendo anunciados a cada esquina, em cada canal de televisão e em templos que brotam como centros de comércio da fé?

Para compreendermos essa dinâmica, precisamos primeiro questionar a finalidade das religiões. Elas existem para melhorar o caráter de quem as segue ou para criar rivalidades entre os praticantes e seguidores? Infelizmente, o que vemos é uma grande concorrência entre as diversas instituições. Há uma disputa cerrada, especialmente entre algumas vertentes neopentecostais, onde casas vivem cheias de fiéis em busca de soluções mágicas. Essa “corrida pelo milagre” acaba por transformar a fé em um produto de prateleira, onde o sagrado é aviltado por promessas que desafiam a lógica e, muitas vezes, a própria moral cristã.

A Vida como o Maior Milagre de Deus

Antes de analisarmos as curas em templos, precisamos redefinir o que entendemos por milagre. Não podemos desacreditar no extraordinário, pois estar vivo é, por si só, um grande milagre. Talvez o maior de todos os prodígios seja a nossa própria existência e a complexidade de todas as outras vidas que nos cercam.

Ao olharmos ao redor, enxergamos a assinatura do Criador em cada célula, em cada folha que cai e no movimento dos astros. Existe uma força milagrosa que sustenta a biosfera e a psicosfera da Terra. É aí que encontramos Deus: alimentando espiritualmente todas as Suas criaturas, sem a necessidade de palcos, gritos ou arrecadações financeiras. O milagre real é silencioso, constante e acessível a todos, independentemente de rótulos religiosos.

A Indústria da Fé e as Curas Sob Suspeita

É impossível ignorar a contradição: por que tantas casas que pregam milagres constantes têm seus líderes investigados pela justiça dos homens? Se o poder que ali atua fosse puramente divino, haveria espaço para a corrupção, o estelionato sentimental e o acúmulo de bens materiais às custas da miséria alheia?

Muitas vezes, questionamos por que apenas algumas denominações parecem receber o “poder” de realizar curas, enquanto igrejas tradicionais e instituições sérias não o fazem. Seria porque seus pastores e líderes não são abençoados? Ou porque os frequentadores são “amaldiçoados”? Absolutamente não. Deus não faz acepção de pessoas. A razão pela qual certas instituições não “produzem” milagres em série é o respeito às Leis Naturais.

O Porque de tantos Milagres em certos ambientes reside, infelizmente, na encenação. Grandes pregadores, agindo como verdadeiros artistas, exploram a fragilidade do povo. O indivíduo doente, carente de alívio para os males do corpo, torna-se cego diante de encenações teatrais. O milagre, nestes casos, é uma ferramenta de marketing para encher templos, pois casa cheia gera dinheiro — e este é o verdadeiro deus de muitos líderes.

A Visão Espírita: O Que é Realmente um Milagre?

Para a Doutrina Espírita, o milagre não existe como uma derrogação das leis de Deus. O que chamamos de milagre é apenas um fenômeno cujas leis ainda desconhecemos. Allan Kardec, em “A Gênese”, esclarece que Deus não precisa suspender Suas próprias leis para demonstrar poder.

O verdadeiro “milagre” é uma manifestação de energia pura, capaz de promover a cura ao harmonizar o perispírito (o corpo espiritual). Ele é concedido segundo a necessidade da criatura e, acima de tudo, segundo o seu merecimento e o seu plano reencarnatório. Se a permanência do indivíduo no mundo material é necessária para o seu adiantamento espiritual e para o cumprimento de uma missão, a Misericórdia Divina pode atuar restaurando a saúde de forma que a medicina terrena ainda não explica.

Portanto, o benefício é sempre focado na alma, no espírito, e não meramente na carne. A carne é apenas a vestimenta temporária, a sala de aula onde exercitamos nossas ações. Curar o corpo sem transformar o espírito é como limpar o exterior de um copo enquanto o interior permanece sujo.

O Perigo dos Falsos Testemunhos

Existe uma responsabilidade espiritual imensa naqueles que dão testemunho de curas que não ocorreram. Muitos o fazem por pressão psicológica, por um entusiasmo momentâneo ou pelo desejo de se sentirem “escolhidos” por Deus. Esses indivíduos são coautores do engano, ajudando a atrair outros irmãos desesperados para armadilhas de exploração financeira.

Devemos ter extrema atenção com o que sai de nossas bocas. A Justiça de Deus está acima de qualquer manifestação fenomenológica. Seremos cobrados por cada palavra que induziu o próximo ao erro ou ao fanatismo. Deus está de olho em todos nós, e a verdade, embora possa tardar, sempre se manifesta com a força da realidade.

A Ciência e o Fluido Vital: Entendendo a Cura

Ao investigarmos O Porque de tantos Milagres, entramos no campo do magnetismo e do fluido vital. Todo ser humano possui uma carga de energia que sustenta a vida orgânica. O passe espírita, por exemplo, é a transmissão dessas energias psíquicas e espirituais de um doador (médium) para um receptor.

Muitas curas consideradas milagrosas são, na verdade, reposições fluídicas intensas. Quando um indivíduo tem fé, ele abre seus centros de força (chakras), permitindo que a energia curativa penetre em seu organismo. Isso não é um privilégio de uma religião específica, mas uma lei da natureza. No entanto, a cura real só se mantém se o indivíduo mudar sua vibração mental, abandonando os vícios e sentimentos negativos que causaram a doença originalmente.

Por que nem todos são curados?

Esta é uma questão central. Se Deus é amor, por que um milagre ocorre para um e não para outro? A resposta reside na Lei de Causa e Efeito (Karma). Muitas enfermidades são ferramentas de resgate ou de proteção para o espírito.

  • Expiação: A doença como reflexo de erros do passado (desta ou de outras vidas) que precisam ser “drenados” através do corpo físico.
  • Prova: Um desafio escolhido pelo próprio espírito antes de encarnar para testar sua paciência, resignação e fé.
  • Prevenção: Às vezes, uma limitação física impede que o indivíduo cometa erros maiores que comprometeriam seu futuro espiritual.

Pedir um milagre é legítimo, mas aceitar a vontade de Deus é o sinal de maturidade espiritual. O maior milagre que podemos receber não é a cura da perna ou dos olhos, mas a cura do orgulho e do egoísmo.

A Exploração da Boa-fé e o Julgamento Divino

É lamentável observar que o nome de Cristo seja usado para alavancar carreiras políticas e impérios financeiros. As casas que promovem falsos milagres com a única intenção de arrecadar dinheiro deveriam, por uma questão de ética humana, ser questionadas e evitadas. A propaganda da cura como moeda de troca pelo dízimo é uma das maiores ofensas à mensagem do Evangelho.

Jesus curava por amor, gratuitamente. “Dai de graça o que de graça recebestes”, foi o seu comando. Qualquer instituição que condicione a ajuda divina a um pagamento material está em desacordo direto com as leis do Cristo. O milagre não se compra; ele é uma concessão da Lei do Amor.

O Discernimento como Escudo Espiritual

O fiel não deve ser um cego guiado por outros cegos. É necessário o uso da razão. O Espiritismo nos ensina a fé raciocinada — aquela que encara a razão face a face em todas as épocas da humanidade. Se um “milagre” parece suspeito, se o líder religioso se coloca como um semideus, se há pressão por dinheiro, desconfie.

A verdadeira espiritualidade produz frutos de paz, humildade e transformação interior. Onde há espetáculo, geralmente há ausência de profundidade espiritual. O milagre da transformação do caráter é o único que realmente importa para a economia do universo. Quando um homem violento se torna pacífico, ou um avarento se torna generoso, estamos diante de um milagre muito mais difícil e valioso do que a cura de uma paralisia física.

A Unidade na Diversidade: O Papel das Religiões

Embora existam críticas severas ao mau uso da religião, não podemos descartar o papel fundamental que as instituições sérias desempenham. Elas servem como pronto-socorros espirituais, oferecendo consolo e direção. O problema não está na religião em si, mas no ego humano que a subverte.

O ideal seria que as religiões cooperassem entre si, entendendo que todos os caminhos que levam ao bem são válidos. A concorrência religiosa é um traço de inferioridade espiritual. No mundo regenerado, não haverá “minha igreja é melhor que a sua”, mas sim uma compreensão de que somos todos filhos do mesmo Pai, estagiando em diferentes graus de compreensão da verdade.

Milagres Diários e a Gratidão

Muitas vezes, buscamos O Porque de tantos Milagres em eventos estrondosos e esquecemos de agradecer os milagres cotidianos. O fato de respirarmos sem esforço, o funcionamento automático de nossos órgãos, a capacidade de pensar e amar — tudo isso são prodígios de engenharia divina.

A gratidão é uma chave poderosa. Quando passamos a vibrar na gratidão pelos “pequenos” milagres, entramos em sintonia com as esferas superiores. Essa conexão fortalece nossa imunidade física e espiritual, tornando os “grandes” milagres menos necessários, pois passamos a viver em um estado de equilíbrio constante.

Conclusão: O Caminho da Verdade

Em suma, o tema dos milagres nos convida a uma profunda reflexão sobre nossa relação com Deus. Não busquemos os templos apenas pelo que Deus pode nos “dar” em termos materiais ou de saúde física, mas pelo que podemos “ser” diante Dele.

Desconfie do sensacionalismo. Valorize a cura silenciosa da alma. Entenda que as doenças do corpo são, muitas vezes, os remédios da alma. E, acima de tudo, lembre-se de que a justiça divina não se deixa enganar por encenações ou falsos testemunhos. O verdadeiro milagre é o amor em ação, a caridade desinteressada e a busca incessante pela reforma íntima.

Sejamos nós mesmos o milagre na vida de alguém através de um gesto de carinho, de uma palavra de consolo ou de um auxílio material. É na prática do bem que o divino se manifesta de forma mais pura e incontestável. Que possamos enxergar a força milagrosa em cada coisa viva e louvar ao Criador não pelo que Ele nos cura, mas pelo que Ele nos permite aprender através da vida.

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